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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que não pode faltar numa mesa de jogo




É normal quando a pessoa se predispõe a estudar o baralho cigano, e mais tarde a deitar as cartas para pessoas amigas e conhecidas, ter dúvidas relativamente ao que deve ser colocado em cima da mesa.

Numa das minhas incursões por uma comunidade de baralho cigano, chamou-me à atenção uma dúvida de uma pessoa, que vou responder da forma que considero mais adequada, tendo em conta os meus conhecimentos.

Ela perguntava se era obrigatório usar toalha para a leitura das cartas. Em caso positivo, qual a cor indicada. Também queria saber se tem de ter punhal, vela, copo com água, e se era preciso algum tipo de ritual. Estas dúvidas permaneciam, mesmo após diversas pesquisas, pelo facto das informações que esta encontrava serem  diferentes de fonte para fonte.

Vamos, então, responder por partes.

1) É obrigatório usar toalha para a leitura das cartas?
Obrigatório não é. No entanto, por uma questão de preservar as cartas e facilitar a sua disposição sobre a mesa, diria que é melhor ter uma, de preferência de um material mais ou menos espesso. Eu já fui a uma cartomante que deitava as cartas sobre a sua cama!

2) Se sim, qual a cor indicada?
Deverá escolher a cor que mais lhe agrada ou então usar uma cor que tenha a ver com a sua mãe Divina. E como se sabe qual é a nossa mãe Divina? Geralmente recorrendo a uma leitura de búzios ou até mesmo por meio de uma mensagem que surge no nosso pensamento.


Eis as mães Divinas e respectivas cores:
Mãe Oya Tempo - Azul escuro
Mãe Oxum - Rosa claro
Mãe Obá - Magenta
Mãe Egunita - Laranja
Mãe Yansã - Amarela
Mãe Nanã - Lilás
Mãe Iemanjá - Azul claro 


(Isto são só indicações; a minha mãe Divina é Oxum, mas a minha toalha não é Rosa.)


3) Também queria saber se tem de ter punhal, vela, copo com água...
Somente se quiser seguir as tradições do povo cigano e se quiser manter mais protegida de ataques espirituais, caso sofra desse mal. O punhal corta as energias negativas, a vela aumenta a vidência e contribui para abrir os canais entre consulente e cartomante, a água neutraliza as energias negativas. 

4) É preciso algum tipo de ritual?
Não necessariamente; há pessoas que deitam as cartas sem terem efectuado qualquer tipo de ritual ou limpeza nas cartas e não erram nas previsões. Acima de tudo, os rituais (desde a consagração até à abertura e encerramento da consulta) deverão ser realizados por aqueles que sentem essa necessidade. Naturalmente que quem é direccionado na leitura das cartas por um espírito cigano deverá realizar o ritual de consagração e ter os diversos materiais acima expostos (acrescentando o incenso), para que haja sintonia entre o cartomante e o seu guia. 



Para concluir este post, quero novamente referir que temos de fazer uso da nossa capacidade de seleccionar as diversas informações, muitas vezes contraditórias, que encontramos nas nossas pesquisas. Perante uma indecisão, é sempre boa ideia perguntar sobre ela ao nossos mentores espirituais, que no tempo certo nos darão/trarão a resposta.

domingo, 24 de julho de 2011

A maldita traição!

Vai uma mulher à cartomante e pergunta se o marido tem outra.  A cartomante (uma velhota com largos anos de experiência naquele tipo de assuntos) muito séria embaralha as cartas e pede à mulher para cortar em duas partes. A cartomante  olha para o corte, torcendo o sobrolho, e a consulente sente que o coração vai saltar do peito. Em seguida a cartomante dispõe as cartas sobre a mesa, segundo o seu próprio método, e responde prontamente «Tem!».

A mulher sai atordoada da casa da velha cartomante e jura vingança ao marido. Quando ele chega a casa ela procura explicações e encosta-o contra a parede. «Tens uma amante? Quem é ela? É mais nova do que eu? Eu sei que tens. Não mintas, pois não sabes mentir». E o homem responde que são invenções da cabeça dela, mas ela acredita vivamente no que a cartomante lhe disse e corta todo o tipo de intimidades com o marido, mas faz questão de massacrá-lo todo o santo dia com a mesma lenga lenga.

Quem é que aguenta esta situação?

O homem decide separar-se da mulher, após muitas semanas desgastantes, e ela aceita de imediato pois não confia mais nele. A traição não tem perdão!


Meses mais tarde o homem conhece outra mulher e como está separado, com nenhuma esperança de reatar o seu casamento, decide iniciar um novo relacionamento. A ex-mulher, quando tem conhecimento desta nova relação, confirma o que a cartomante lhe dissera, pois não acredita que ele a tenha conhecido após se terem separado. A cartomante é, por isso, exímia no seu ofício e certamente daí para a frente ela e as amigas serão clientes frequentes da velha mulher.

A verdade é que a cartomante errou na previsão. Ela somente quis agradar a mulher que queria a todo o custo que ela lhe dissesse que o marido tinha outra. E tanto que ela pensou que a traição era real e massacrou o marido, ele arranjou outra, ainda que meses após se terem separado. Porém na cabeça da mulher, a previsão esteve sempre certa, pois confirmou-se que ele a tinha traído.

Eis porque a nossa mente é muito forte e devemos ter cuidado com aquilo que pensamos, pedimos e fazemos.

Eis um dos erros que algumas cartomantes cometem: tentar agradar a consulente, inventando, uma atitude que você deve evitar a todo o custo.

Quando as cartomantes vêem a pessoa aflita, tendem a acalmá-la da forma que melhor sabem ou acreditam ser a mais eficaz. Infelizmente algumas cometem o erro de dizerem as palavrinhas que a consulente está à espera de ouvir, quando pergunta se está a ser traída.

A traição é um tema delicado e se não tiver certeza o melhor é não inventar! Vidas podem ser prejudicadas e você ganhará mais um Karma para lhe dificultar esta caminhada na Terra. Além do mais, quando damos uma informação deste tipo a uma pessoa, que nem desconfiava do parceiro por se darem bem, é como se nesse instante ficasse enraizado no seu pensamento uma erva daninha que tende a crescer e a destruir a harmonia do casal.

Por isso, no meu entender, quando tiver certezas não diga simplesmente «Tem». Tente orientar a consulente. Tente procurar saber se há motivos para a consulente estar a ser alvo de traição, se esse caso é de longa duração, quais as intenções do marido para com a outra e se nos próximos meses o caso irá continuar (isto se a consulente estiver disposta a lutar por ele). E claro, aconselhe a consulente a ter calma, pois as suas atitudes impensadas - naturalmente após ter recebido uma notícia complicada - poderão levar a consequências nefastas na sua vida. Como as nuvens, que às vezes habitam no nosso pensamento e nos provocam tumultos e confusão de ideias e sentimentos, a consulente tem de aguardar que a sua mente fique mais clara para tomar uma atitude acertada. Chegar a casa e interrogar de forma agressiva o marido, com certeza não será a melhor opção!