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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ritual de Consagração das Cartas


Provavelmente já devia ter colocado este post há mais tempo, pois quando nos iniciamos nos estudos das cartas, convém adquirir um baralho. E para que esse baralho comece a funcionar bem e fique impregnado com a nossa energia, temos de ter alguns cuidados.

Antes de chegar até às suas mãos, faz ideia de quantas pessoas tocaram no seu baralho?

É preciso limpar as cartas de toda a vibração negativa que possam ter apanhado, para em seguida começar a usá-las.

Existem diversos rituais, alguns mais complexos do que outros, uns que necessitam de diversos materias e utensílios...

O ritual de consagração, embora não seja obrigatório, pois depende das crenças de cada um, tem o objectivo de ligar o baralho a si, colocando nele a sua energia bem como as vibrações do Universo. Deste modo, as cartas de simples pedaços de papel passam a se transformar em símbolos que o conduzirão à vida oculta (inconsciente) do consulente.

O ritual de consagração tem de ser realizado com a maior seriedade, num local calmo, sem que seja interrompido.

Deixo aqui um ritual de consagração.


Tem de ser feito na fase da Lua Cheia (até ao terceiro dia desta, pois é quando está no seu esplendor) ou então no Quarto Crescente, e vai precisar do seguinte material:
- 1 Vela e castiçal;
- Fósforos;
- 1 Incenso;
- 1 Taça ou copo com água mineral;
- Cristais;
- Frutas (se quiser);
- 1 Punhal.


Começa a consagração apresentando as cartas aos quatro elementos da natureza, colocados em cima da mesa ou noutro local, no compartimento onde pretende deitar as cartas:
Fogo, acendendo uma vela da cor do seu agrado;
- Ar, colocando um incenso da sua preferência a queimar;
- Terra, cristais e frutas (estas últimas se quiser);
Água, numa taça ou copo.


Olhando para as cartas, peça com segurança para que sejam limpas de todas as energias negativas e que possa com elas fazer previsões correctas, no sentido de orientar quem lhe procurar (ou faça o pedido que achar conveniente).



Em seguida erga o punhal com a mão direita, bem diante de si, e movimente-o em forma de X (da parte esquerda para o ponto mais baixo na direita, e vice-versa). Este gesto deve depois ser repetido em direcção aos quatro pontos cardiais; nessa altura invoca os seus guias espirituais, pedindo-lhes que o defendam sempre, afastando de si a perda, a doença, a dor, a escuridão, a maldade e a inveja dos outros.

Pegue em seguida nas cartas e apresente-as à Lua, pedindo que ela lhe forneça a luz da vidência e da intuição.

Para finalizar passe as lâminas, uma a uma, no fumo do incenso, sempre com bons pensamentos e boa energia.

Quando terminar, guarde o baralho num saco feito por si, num lenço ou onde achar melhor. Evite envolver em panos pretos e cinzentos, pois o negro absorve energia negativa que pode atacar o seu baralho.

O resto do incenso e vela deverá, após tê-los apagado, deitar fora ou enterrar num jardim perto da sua casa. A água deve ser deitada fora. Os cristais estão imantados com energia e deverão ser colocados na mesa, onde vai deitar as cartas, assim como o punhal. As frutas, ofereça à sua família ou a alguém que está a precisar (há quem defenda que devem ser deixadas num jardim).

Nota: Não deve apagar a vela e o incenso soprando.

Nota 2: Não é aconselhável acender velas após as 21h:00, pelo que convém iniciar o ritual assim que a noite se coloque.

(Este ritual foi inspirado no ritual de "Consagração das Cartas e do Ambiente onde será praticado o Ofício", de Sibyla Rudana do livro Segredos das Cartas Ciganas. Naturalmente que fiz algumas adaptações, de acordo com as minhas crenças).

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Exemplo do Método Alma Gémea


Às vezes as cartas pregam-nos partidas... Fazemos tudo como deve ser, mas em vez de responderem àquilo que perguntamos respondem outra coisa qualquer ou simplesmente surgem como conselheiras.

Isto tudo para dizer que a minha primeira tentativa de "Encontrar a Alma-Gémea" para alguém saiu, a meu ver, infrutífera.


Para quem não se recorda, numa das minhas pesquisas havia encontrado este método e decidi experimentar com uma amiga. Ela autorizou a divulgação da consulta e penso que já devem ter deduzido que encontra-se sozinha - no amor.
Como todas as pessoas, em maior ou menor grau, andam à procura do Amor, achei interessante experimentar o método com ela (pois não posso testar em quem está numa relação!) mas houve uma cartita (as nuvens, para ser mais precisa) que me fez perceber que não era a alma gémea que vinha ao seu encontro, mas provavelmente o tipo de homem que ela deve evitar!
E vocês já vão perceber porquê!

Relembrando o esquema:

Relembrando as posições:
1 - Motivo pelo qual ainda não encontrou a alma-gémea;
2 - Conselho para resolver o facto de ainda não tê-la encontrado (relacionado com a carta anterior);
3 - A atitude mais positiva que se deve tomar em relação ao parceiro;
4 - O perfil da pessoa certa para você;
5 - Onde vai encontrar essa pessoa (nesta fase é bom olhar para os símbolos das cartas);
6 - Quando vai encontrar a alma-gémea (devemos usar a técnica de temporalidade* que acharmos mais adequada).





 










As cartas que saíram foram:

1 - Jardim - Indica que a consulente precisa de sair mais, pois provavelmente não aposta muito na sua vida social e não é ficando em casa que o nosso príncipe encantado vai aparecer.

2 - Raposa - No entanto as cartas aconselham a ser esperta que nem uma raposa, pois às vezes confiamos em demasia nas pessoas e não vemos o seu lado obscuro. Portanto, sair para divertir-se e conhecer novas pessoas é urgente, mas nunca confiando demais ou se entragando de imediato.

3 - Lírios - Em relação ao parceiro, quando ele aparecer, deverá manter a calma e a paz de espírito, pois mentes tumultuosas e receios não são bons.

4 - Nuvens - No perfil da pessoa certa (aqui é quem reside o problema) saiu as nuvens. Conhecendo a consulente como conheço, percebi que este nunca poderia ser o perfil da pessoa indicada para ela. Uma pessoa caracterizada pelas nuvens é aquele tipo de pessoa instável, que não sabe bem o que quer e por isso vai experimentando uma série de coisas. É do tipo pouco responsável, que não se prende a nada nem gosta de ter muitas responsabilidades. Com certeza todas as mulheres conhecem homens deste tipo. No início pode ser interessante e desafiador, mas após determinado tempo começa a cansar, porque todos nós gostamos de ter estabilidade emocional.

5 - Aliança - Esta carta, referindo-se ao local onde vai encontrar a alma-gémea, e tendo em conta o jardim (que implica que é preciso viver mais fora de casa), diria que pode ser uma pessoa do trabalho por ocasião de uma saída (porque a aliança está relacionada com firmação de contratos, e a consulente trabalha por conta de outrem e não pretende de lá sair tão cedo).

6 - Cavaleiro - E quando é que essa pessoa nuvens vai aparecer? O Cavaleiro é uma carta de acção rápida que indica que a situação já se encontra vindo ao encontro da consulente ou então já está materializada. Em termos de temporalidade, é uma carta que indica entre 1 mês (embora eu não goste de estipular o tempo desta forma, pois a temporalidade nas cartas prega-nos sempre partidas).






Agora vamos ao feedback.

Nem todas as pessoas acreditam na existência de almas-gémeas. Os mais românticos sim, os realistas não. Na minha opinião, e sendo eu espiritualista, acredito que existem almas que têm mais afinidades connosco, são do mesmo plano espiritual que nós, e que vêm numa reencarnação desempenhar o papel de "Alma-gémea" (leia-se parceiro), mas que numa outra vida passada podem ter sido o nosso pai, a nossa mãe, o nosso irmão, o nosso filho...

Quanto àquelas pessoas que passam por nós e não ficam muito tempo na nossa vida; aqueles affairs passageiros, são pessoas com quem temos resgates kármikos, no sentido de evoluirmos. Está certo que muitas deixam marcas e algumas separações até são complicadas de lidar, mas no fim do dia ficamos mais fortes e aprendemos com essa experiência a no futuro não cometermos os mesmos erros.

No caso do método. Acho, e ela já sabe o que acho pois já lhe disse, que se está a referir a uma pessoa com quem ela tem algo para resolver porque foi magoada. Reforço a ideia de que ninguém gosta de ficar com uma pessoa instável, que não nos dá o devido valor. Ele estava quase a aparecer, por altura da leitura das cartas (que já tem um mês), e ela sabe perfeitamente a quem é que as cartas se estão a referir, pois ele andou a rondá-la. É alguém que esporadicamente encontra no local de trabalho, mas tem sido no exterior que se têm cruzado. É do tipo de homem que não sabe o que quer - pois ela já o pôde comprovar - e ela aparenta calma quando o vê, mas por dentro é capaz de estar a fervilhar.

Lembras-te da raposa? Que tens de confiar, não confiando. Pois bem, penso que o facto de ele estar novamente na tua vida tem a ver com o facto de te teres de libertar dele para seguires em frente.

Se queres lhe dar uma nova oportunidade, quem sou eu para te dizer "Não!". Devemos fazer aquilo que queremos no momento. Se reflectirmos muito, é como disseste ontem "A oportunidade passou".

Eu não acredito muito na mudança das pessoas, principalmente após uma certa idade. Quando somos mais jovens, a nossa identidade e personalidade ainda se está a moldar, mas na vida adulta são raras as pessoas que mudam drasticamente na forma de se comportar e pensar. Por isso, acredito que ele vai continuar a ser um tipo "nuvens" e as nuvens não combinam contigo, miss certinha.

Acima de tudo aconselho-te, Lúcia, a teres pensamentos positivos para poderes atrair para a tua vida alguém que realmente te mereça. As pessoas têm de acreditar que merecem muito melhor, para que pessoas de boas vibrações possam entrar na sua vida. E, claro, tens de sair mais...

Quem sabe para a próxima vez que experimentarmos o método, venha realmente o tal...



Nota: Para quem quer experimentar o método, lembre-se que a alma-gémea que pode vir indicada nas cartas, pode não passar de uma relação que pode não ter muito futuro, mas que naquele momento tem de ser vivida. Naturalmente que não deve pensar que "não vai durar" pois assim é que não dá certo mesmo, e sim aproveitar todos os bons momentos que a relação lhe vai proporcionar não pensando muito no amanhã. Devemos viver o dia a dia...

Nota 2: Relembro que esta é a minha forma de interpretar as cartas.


* Sobre a temporalidade, vou colocar um post quando surgir a oportunidade.




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Cruz: Carta para o mês de Agosto




Todos nós carregamos a nossa cruz. Uns mais do que outros, pois há quem transfira um pouco do seu peso para os que lhe são mais próximos.

A cruz, por vezes, torna-se difícil de carregar, tal é o tamanho das responsabilidades que temos de lidar ou as dificuldades que a vida nos traz.

Há pessoas que parecem que não carregam a sua cruz, mas todos nós a temos. A diferença reside na forma como encaram os obstáculos e os resolvem. As pessoas optimistas por natureza, rapidamente ultrapassam os desafios. Também há pessoas de boa índole cuja cruz é mais leve.

A Cruz, a carta n.º 36 do Baralho Cigano, é uma carta kármica. Já ouviu com certeza em karma. As nossas acções em vidas passadas e nesta têm consequências. Se fez mal, terá retorno. Se fez o bem, também o terá. É a chamada lei de causa e efeito.


O mesmo sucede quando se fala em Karma. Fui  a uma consulta há uns meses atrás com a minha mestre de Reiki, para fazer uma limpeza espiritual. Lembro-me claramente dos karmas que tenho de lidar, aqueles que me vão dificultar a vida, e os bons (os dharmas) só me lembro dela ter falado «Possuis uma grande intuição!».

Há dias tive uma conversa com uma amiga sobre este assunto do karma. Queixava-me que parece que as pessoas tendem a se esquecer do karma positivo. Parece que só trouxemos para esta vida o negativo para resolver. E o bom?

O que acontece é que temos tendência a olhar para o negativo.

Este ano, uma encarregada de educação perguntava-me se a filha não tinha qualidades, pois só lhe dizia coisas más acerca do seu comportamento e atitudes. Claro que ela tem boas qualidades, porém as negativas cobrem de tal forma as boas, que tendemos a olhar para os defeitos na esperança que sejam melhorados.

Curiosamente dias depois desta conversa com a minha amiga recebi um convite da Alexandra Solnado, para participar num workshop online com diversos exercícios que nos conduzem às vidas passadas para buscar o bom karma para podermos viver melhor nesta vida. Sim, porque os karmas negativos só nos dificultam a jornada, causando-nos dores de cabeça. Ainda não sei se vou participar... No entanto sei que nada é por acaso, e o convite chegou talvez por ser a altura certa e como forma de resposta à conversa que havia tido com a minha amiga.

Aliados da Arte Comércio, Lda.

A cruz no mês de Agosto é um bom sinal. Ela indica que após ultrapassar dificuldades de percurso, as quais não posso ignorar pois estarão lá para eu amadurecer, conseguirei alcançar triunfo.

Apesar de estar de férias da escola, continuo com o meu trabalho como cartomante e como já disse noutro post estou empenhada num projecto sobre as cartas, que espero terminar em breve. Estou a ter uns dias cansativos, compilando informação de diversos livros e da minha experiência, para tornar mais fácil o estudo deste maravilhoso mundo que é o Baralho Cigano.

Vai ser um mês trabalhoso, mas recompensador. Tenho de ter calma e dar um passo de cada vez. Logo logo os contratempos não significarão nada.

Para quem está de férias neste mês, desejo paz, tranquilidade e muito descanso. E alerto para ter cuidado com os raios do sol, que não está para brincadeiras.


sábado, 30 de julho de 2011

Baralhos, qual deles o melhor?


Podemos iniciar os estudos no Baralho Cigano, sem ter necessariamente um baralho. Mas quando quisermos passar à parte da prática, dos métodos, torna-se imprescindível arranjar um.

Há quem defenda que o baralho deve ser oferecido, mas eu acho que não! Devemos ser nós a escolher o baralho, pois geralmente quando é oferecido ou não gostamos ou não lhe damos o devido valor. E apesar de pensarmos que somos nós que o estamos a escolher, a verdade é que é ele quem nos escolhe!


Então qual o baralho que deve escolher?

Quando decidi me aventurar no mundo das cartas ciganas ou petit lenormand (pois é dessa forma que as cartas são chamadas na Europa e EUA), pesquisei em diversos sites esotéricos (onde vivo, nunca vi em nenhuma loja esotérica a venda desse baralho), até que houve um que pela caixinha me parecia ser o indicado; além de bonito, transmitia-me boas vibrações. Era, por sorte, o último da loja, pelo que provavelmente este me estava destinado.

Uma particularidade do baralho é que uma das cartas, na parte de trás, tinha uma coloração diferente. Eu sabia qual era a carta e evitava tirá-la. As minhas cobaias tiravam a carta, por lhes chamar mais à atenção ou diziam que não a iriam tirar... Foi um stresse, até que decidi comprar outro baralho igual, torcendo para que não viesse com defeito, e o primeiro ficou apenas para estudo (é aconselhável ter no mínimo dois baralhos, um para as consultas e outro para os estudos).

Eis o baralho que uso (100% brasileiro). As cartas são lindíssimas e grandes. Todas elas contam uma história e estão perfeitamente desenhadas. Quando abro o jogo, muitas das minhas clientes costumam dizer "Que cartas tão bonitas".

Feitiços Aromáticos

Esta foi a minha escolha (ou a escolha dele foi eu). A minha mesa de leituras é grande, por isso tenho espaço suficiente para deitar as cartas. O tamanho da mesa onde vai deitar é importante ter em conta.

Em seguida adquiri baralhos pela Amazon, os típicos baralhos Petit Lenormand europeus, com a leitura interna:

Lo Scarabeo
As cartas deste baralho são grandes.


A qualidade destes baralhos (leia-se dos baralhos europeus) é melhor, o que significa que a durabilidade será mais longa. É chato termos que estar sempre a comprar um baralho novo. Ainda por cima que eles não são propriamente baratos! E atenção, nem pense em plastificar o baralho para durar mais. Ao fazer isso estará a bloquear as vibrações do mesmo, e depois a leitura tornar-se-á complicada, pois entre você e o baralho não vai haver muita conexão.


Königsfurt
Imagens iguais às do baralho acima (apesar de ser outro autor).
Cartas do tamanho das cartas de poker.



No que concerne às ilustrações, estes dois baralhos pecam um pouco, na minha opinião, pois uma vez na posse de um baralho lindíssimo não queremos um desfalecido em cor e imagens.

Também adquiri o lindíssimo deck Mystical Lenormand (em baixo). As cartas deste baralho são mais pequenas do que as do Baralho Cigano que costumo usar, pelo que só o uso quando tenho de fazer tiragens em mesas de pequenas dimensões (este não tem a leitura interna).

Regula Elizabeth Fiechter

Fazendo uma pesquisa na Amazon encontrá mais baralhos (tem de colocar lenormand cards ou oracle na pesquisa). Tem lá mais uns 3 que gostava de adquirir e que já estão na minha wish list. Tudo no seu devido tempo. Quem ultrapassar as 25 libras em compras não paga o transporte (para Portugal)!

De Rosalinda da Mata (Made in Brasil)
(inclui leitura interna, mas as cartas são minúsculas;
ideal para os seus estudos ou para levar numa viagem).

É bom ter uma série de baralhos, para analisarmos as particularidades de cada um. Os baralhos ciganos made in Brasil têm diferenças (o trevo, por exemplo). Como sigo o método brasileiro, é mais fácil usar um baralho feito nesse país. Aliás, apesar de já possuir uma colecção considerável de baralhos, continuo e continuarei (enquanto os fabricantes quiserem comercializá-lo) a usar o mesmo. As imagens já estão tão gravadas na minha mente, que a leitura torna-se rápida e eficaz.


Aliados da Arte Comércio Lda.
(Cartas de tamanho médio e bastante bonitas)

Quem adquirir livros sobre o tema, vai ter de oferta o baralho concebido especialmente para  o livro. Pessoalmente não gosto de usá-los, pois quando se estragarem terei de adquirir outro livro por não serem vendidos em separado (sobre o conteúdo e cartas dos livros ficará para falar noutro dia!).

Seja apelidado Tarô Cigano, Baralho Cigano ou Petit Lenormand, desde que tenham 36 cartas pode adquirir qualquer um deles. Alguns designados de Tarô Cigano têm 78 lâminas, por isso tome atenção à descrição. Também às vezes as dimensões referidas não são as correctas, acabando por comprar gato por lebre, como diz o ditado popular. 

Quem trabalhar com o baralho europeu, tem de se consciencializar que mais cedo ou mais tarde terá de estudar também a leitura interna, pois ela não está lá para enfeitar.

Königsfurt

No meu caso leio apenas a leitura principal, por opção (o meu baralho não tem a leitura interna). O que, na minha opinião, não inviabiliza a leitura. Acredite que 36 símbolos dão muito trabalho e se formos adicionar mais 36 naipes, o trabalho é redobrado!

Talvez seja mais aconselhável começar primeiro a estudar a simbologia externa e quando dominá-la consideravelmente bem, aventurar-se nas copas, nos paus, nas espadas e nos ouros, adquirindo para isso o baralho adequado.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Ramalhete


Um ramo de flores traz com ele o cheiro a festejo de alguma ocasião especial... Um aniversário de anos, de casamento, de namoro... Pode simplesmente ser um gesto de agradecimento ou reconhecimento. Pode ser os parabéns por uma promoção, pelo término de um curso com bons resultados...

A verdade é que uma casa com flores tem um ambiente mais acolhedor e as plantas vivas têm o poder de limpar o ar.

Durante muitos anos não gostava de receber ramos, pelo facto destes secarem rapidamente. Parecia que as floristas as vendiam nos seus términos e era um desperdício de dinheiro.

No Baralho Cigano, a carta 9 representa a Felicidade, as Alegrias da vida. Esta envia-nos sempre uma mensagem de optimismo. Mostra que há entendimento entre as pessoas, principalmente numa relação de Amor. Por ser uma carta positiva, atenua muitas vezes a negatividade das cartas que a circundam.

O ramalhete diz-nos que a felicidade pode dominar em todos os aspectos e que temos de aproveitar.


Mas (e há sempre um)  tal como as flores num ramo, que não são eternas, também esta felicidade poderá findar. É preciso, por isso, cultivar diariamente os pensamentos positivos e promover os bons momentos junto daqueles que gostamos. O ramalhete implica que haja partilha.

André Mantovanni

No sentido negativo, esta carta indica a tristeza. O consulente encontra-se num estado de espírito de sofrimento, de desilusão, pois não vê nada bonito à sua volta: não há flores.

Muitas vezes esta lâmina representa a amante que  abala ou destroí uma relação. Aliás, na leitura interna (para quem se interessa) a dama de espadas aparece com toda a sua feminilidade, sedução e inteligência.


quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Caixão


Quando o caixão sai numa tiragem, as pessoas pensam logo em morte!

A morte é uma realidade que nos espera a todos, independentemente do nosso estatuto social, género, nacionalidade. Dizem que a coisa mais certa na vida é a morte!

No nosso dia a dia, o caixão representa dor, é o término da jornada e a passagem de alguém para o plano espiritual. Com a morte finda uma vida, uma personalidade que somente permanecerá na mente dos familiares e daqueles que a admiravam. Com o tempo muitos acabarão por cair no esquecimento, porque a agitação que vive o ser humano não deixa tempo para pensar demasiado no passado.

Mesmo sabendo que na nossa passagem na terra nascemos, crescemos e morremos, a verdade é que existem culturas que aceitam melhor a morte do que outras.


Existem pessoas que morrem cedo demais e nos perguntamos como poderá ser Deus tão cruel e levar uma pessoa tão boa, que estava nos melhores anos da sua vida. Outras pelo contrário, falsas e maldosas, têm uma longa vida apesar de haver muitas pessoas à sua volta a pedirem a sua morte.


Há pessoas que passam por experiências de morte e que tentam se redimir, se tiverem tido uma vida de excessos e maldade. Outros não chegam a ter tempo para alterarem os seus comportamentos, e quando partem levam consigo tudo aquilo que foram em vida.


Todas as atitudes e comportamentos mesquinhos que as pessoas têm, como a inveja, a maldade, a vaidade, a arrogância, procurar complicar a vida dos outros, o ar de superioridade... é aquilo que lhe será permitido carregar na bagagem para a última viagem. Portanto tente ser uma pessoa com princípios e respeitadora do próximo. Afinal SOMOS TODOS UM e quanto mais desequilibrada estiver a humanidade, mais influências negativas teremos no nosso planeta e em nós.

Petit Lenormand, Pianik Vienna

Uma vez que o Baralho Cigano mostra situações do dia a dia das pessoas, é natural que tivesse o Caixão ou Morte ou até mesmo as Perdas, como alguns oraculistas apelidam a carta 8. Também para quem conhece o Baralho da Vovó Cigana, o Caixão está lá!


Tal como no Tarô de Marselha, a carta 13 "A Morte" ou o "Arcano sem Nome" não representa a morte física, o mesmo sucede com a carta 8 do Baralho Cigano.

O Arcano sem Nome

Quando a carta n.º 8 sai, ela aponta para a necessidade do consulente enterrar o que é velho para poder abraçar o que é novo. Exige da sua parte uma transformação e regeneração (de actos, atitudes, pensamentos) no sentido de evoluir (afinal é esse o nosso objectivo!).

Se está mal no seu local de trabalho, deverá procurar um novo emprego (naturalmente não deverá abandoná-lo de imediato).

Se se sente mal numa relação amorosa, talvez seja altura de falar com o parceiro e tentar ver o que está a provocar esse sentimento, ou mesmo terminar e seguir em frente.

A nível das amizades, às vezes no sentido de avançarmos é preciso conhecermos novas pessoas, renovarmos os relacionamentos.

Num sentido mais negativo para a pessoa que procura orientação nas cartas, o Caixão significa perdas que já se encontram a caminho ou materializadas. E essas perdas poderão ser materiais ou mudanças radicais na sua vida, por algo ter chegado ao esgotamento.

DellaMonica

Naturalmente que esta carta, quando associada a outras, poderá significar mesmo morte física. Mas não devemos focar este tema, porque mexe muito com as emoções das pessoas - esta é a minha opinião. Imagine que se ia consultar e lhe diziam que a morte estava próxima! Certamente não ia parar um segundo de pensar nisso.

domingo, 24 de julho de 2011

A maldita traição!

Vai uma mulher à cartomante e pergunta se o marido tem outra.  A cartomante (uma velhota com largos anos de experiência naquele tipo de assuntos) muito séria embaralha as cartas e pede à mulher para cortar em duas partes. A cartomante  olha para o corte, torcendo o sobrolho, e a consulente sente que o coração vai saltar do peito. Em seguida a cartomante dispõe as cartas sobre a mesa, segundo o seu próprio método, e responde prontamente «Tem!».

A mulher sai atordoada da casa da velha cartomante e jura vingança ao marido. Quando ele chega a casa ela procura explicações e encosta-o contra a parede. «Tens uma amante? Quem é ela? É mais nova do que eu? Eu sei que tens. Não mintas, pois não sabes mentir». E o homem responde que são invenções da cabeça dela, mas ela acredita vivamente no que a cartomante lhe disse e corta todo o tipo de intimidades com o marido, mas faz questão de massacrá-lo todo o santo dia com a mesma lenga lenga.

Quem é que aguenta esta situação?

O homem decide separar-se da mulher, após muitas semanas desgastantes, e ela aceita de imediato pois não confia mais nele. A traição não tem perdão!


Meses mais tarde o homem conhece outra mulher e como está separado, com nenhuma esperança de reatar o seu casamento, decide iniciar um novo relacionamento. A ex-mulher, quando tem conhecimento desta nova relação, confirma o que a cartomante lhe dissera, pois não acredita que ele a tenha conhecido após se terem separado. A cartomante é, por isso, exímia no seu ofício e certamente daí para a frente ela e as amigas serão clientes frequentes da velha mulher.

A verdade é que a cartomante errou na previsão. Ela somente quis agradar a mulher que queria a todo o custo que ela lhe dissesse que o marido tinha outra. E tanto que ela pensou que a traição era real e massacrou o marido, ele arranjou outra, ainda que meses após se terem separado. Porém na cabeça da mulher, a previsão esteve sempre certa, pois confirmou-se que ele a tinha traído.

Eis porque a nossa mente é muito forte e devemos ter cuidado com aquilo que pensamos, pedimos e fazemos.

Eis um dos erros que algumas cartomantes cometem: tentar agradar a consulente, inventando, uma atitude que você deve evitar a todo o custo.

Quando as cartomantes vêem a pessoa aflita, tendem a acalmá-la da forma que melhor sabem ou acreditam ser a mais eficaz. Infelizmente algumas cometem o erro de dizerem as palavrinhas que a consulente está à espera de ouvir, quando pergunta se está a ser traída.

A traição é um tema delicado e se não tiver certeza o melhor é não inventar! Vidas podem ser prejudicadas e você ganhará mais um Karma para lhe dificultar esta caminhada na Terra. Além do mais, quando damos uma informação deste tipo a uma pessoa, que nem desconfiava do parceiro por se darem bem, é como se nesse instante ficasse enraizado no seu pensamento uma erva daninha que tende a crescer e a destruir a harmonia do casal.

Por isso, no meu entender, quando tiver certezas não diga simplesmente «Tem». Tente orientar a consulente. Tente procurar saber se há motivos para a consulente estar a ser alvo de traição, se esse caso é de longa duração, quais as intenções do marido para com a outra e se nos próximos meses o caso irá continuar (isto se a consulente estiver disposta a lutar por ele). E claro, aconselhe a consulente a ter calma, pois as suas atitudes impensadas - naturalmente após ter recebido uma notícia complicada - poderão levar a consequências nefastas na sua vida. Como as nuvens, que às vezes habitam no nosso pensamento e nos provocam tumultos e confusão de ideias e sentimentos, a consulente tem de aguardar que a sua mente fique mais clara para tomar uma atitude acertada. Chegar a casa e interrogar de forma agressiva o marido, com certeza não será a melhor opção!

sábado, 23 de julho de 2011

A Cobra

O que significa uma cobra na nossa vida?

O que significará uma cobra, no Baralho Cigano?

Petit Lenormand, Britta Kienle

A única vez que vi uma cobra, frente a frente, um vidro nos separava. Não me estou a referir ao ecrã da televisão, mas a uma "estufa" no Jardim Zoológico de Lisboa. A verdade é que não me aproximei muito com receio do rastejante, apesar da protecção, pois a palavra que associo à cobra é perigo. A sua mordida pode ser fatal, tal é a intensidade do seu veneno (embora eu não seja ignorante ao ponto de achar que todas as cobras são venenosas!).

No dia a dia, à nossa volta, rastejam serpentes venenosas. Umas muito silenciosas, vão largando o veneno gradualmente e outras, mais ferozes, atacam de uma só vez, não nos deixando espaço para manobra ou defesa.

As primeiras, refiro-me àquelas pessoas que inicialmente parecem de confiança, mas que lentamente vão deixando cair a máscara ou, simplesmente, vão cometendo um deslize hoje, outro amanhã, e ao fim de algum tempo já juntámos todas as peças do puzzle e descobrimos a sua verdadeira identidade: traiçoeiras.

O segundo tipo diz respeito a pessoas que estão na nossa vida, partilham dos mesmos sítios e até de conhecidos, e nem damos pela maldade delas, tal é a sua perspicácia ou talvez intensidade dos nossos dias e grau de distracção. Muitas vezes elas passam despercebidas porque como não temos maldade nos nossos actos e palavras, queremos acreditar que todos são assim. Somente quando somos mordidos é que acordamos para a realidade de que o mundo não é cor-de-rosa como nos contos de fadas.


A carta n.º 7 do Baralho Cigano, apresenta-nos uma cobra.

 

A cobra, e com base na carta acima de DellaMonica, é como um arco-irís. Mostra-nos uma beleza ilusória, qual oasis no deserto; dá-nos falsas promessas e esperanças. É como uma peça que parece ser bonita e de grande qualidade, mas quando levamos para casa constatamos que fomos enganados pois ela é idêntica àquela que vimos dias depois à venda numa loja perto de casa a metade do preço.

Esta carta está relacionada com tudo o que diz respeito a falsas aparências, intrigas, traições e inveja. Daí que quando aparece numa tiragem além de alertar o consulente para estes perigos, que todos estamos susceptíveis de ter de lidar, mostra a necessidade de abrir os olhos para conseguirmos encontrar uma defesa para as cobras na nossa vida ou simplesmente para não chegar a dar hipótese a que elas nos possam atacar.

Quando a carta sai para caracterizar uma pessoa, certamente esta não será de confiança, pois com a sua falsidade conseguirá nos passar para trás na primeira oportunidade. Portanto, e seguindo um ditado popular, "Confie, desconfiando".

No sentido negativo, a carta indica que a cobra está pronta para atacar, com intenção de prejudicar a sua vítima. É, por isso, urgente tomar cuidado com as pessoas.

 
Lenormand, Königsfurt

Uma vez que a palavra mais comum associada à carta n.º 7 é "Traição", temos de ter cuidado quando ela aparece. É errado falar da carta nos referindo de imediato ou somente à sua palavra-chave, pois o(a) cliente pensa que está a ser traído(a) pelo(a) parceiro(a), e mesmo que digamos que não é esse o caso, há sempre pessoas que se deixam impressionar com facilidade e vão para casa a pensar nisso.

Por norma, a pessoa que está a consultar as cartas nunca associa traição a familiares (sim, porque esses muitas vezes são os mais invejosos), a amigos de longa data, a colegas de trabalho... Traição é sempre na vida amorosa!!!

Alguns temas como este da traição, e outros como a morte, separações, desemprego, são delicados e não é somente uma carta que vai indicar estas desgraças. É preciso ver as cartas que a norteiam, pois é preciso mais do que uma lâmina para contar e prever a história de vida do consulente, quando se trata de assuntos delicados.

sábado, 16 de julho de 2011

As Nuvens

A carta n.º 6, do Baralho Cigano, apresenta-nos um céu coberto de nuvens... Para quem gosta de um dia soalheiro como eu, nuvens no céu não é bom prenúncio. Além de que elas influenciam o estado de espírito de muitas pessoas, para pior naturalmente.

No Verão, quando as temperaturas se elevam, um céu coberto de nuvens possibilita que tenhamos um dia mais fresco. No Outono ou Inverno, o Sol é sempre bem vindo para aquecer os ossos, como costumava dizer o meu avô.


Eis uma bonita carta a representar as nuvens:

Aliados da Arte, Comércio Ltda.

Quem adquirir o livro de J. DellaMonica, que oferece o seu baralho, deparar-se-á com a carta 6 representada pelos ventos. O mesmo acontece com o baralho que integra o livro Tarô Cigano de André Mantovanni.



Independentemente de como a carta é simbolizada em cada baralho, o seu significado é idêntico para todos os autores.

As nuvens estão sempre relacionadas com a situação presente das pessoas e a sua mente. Imagine que dentro da sua cabeça em vez de um céu límpido, tem nuvens ou ventos; certamente é um indício de que as coisas não estão bem em algum campo da sua vida ou até em todos. As nuvens são sinal de mau tempo. Os ventos fortes trazem alguns prejuízos ou atrasos e até mesmo cancelamentos em viagens de avião ou de barcos.

Portanto, quando a carta 6 aparece numa tiragem, no sentido geral, indica turbulências no pensamento do consulente, devido a uma fase de instabilidade, aborrecimentos e confusão de sentimentos. Ele procura uma saída para a fase em que se encontra, e que lhe provoca certos desgastes energéticos, no entanto não consegue ver com clareza que caminho seguir, que decisão tomar, porque a luz ao final do túnel ainda está longe. Por isso, quando por algum motivo não conseguimos pensar com clareza, pelo facto da situação estar demasiado instável e sem mostrar uma saída possível, é aconselhável não tomar decisões precipitadas. Aguardar que as nuvens ou os ventos passem, é a prioridade.

Sempre ouvi dizer que depois da tempestade vem a bonança. É certo que os seres humanos não gostam de esperar, precisam de ter tudo para ontem. No entanto é fundamental aguardar, para que as situações fiquem mais claras.

A carta número 6 representa uma fase stressante, mas as nuvens passam e depois o sol brilhará com toda a sua intensidade. Por isso se tomar decisões quando se encontra neste estado, não reclame depois se as consequências da sua atitude forem nefastas.

Costumo dizer aos meus consulentes para terem calma, aguardarem e não pensarem demasiado pois tudo tem uma solução. Acima de tudo, é importante ter uma atitude positiva.

No sentido negativo, as nuvens poderão permanecer mais tempo do que o habitual, além de que a capacidade de lidar com os conflitos difere de pessoa para pessoa.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Cliente Céptico ou do tipo "Pôr à Prova"

Hoje vou dar início a uma série de posts sobre os condicionantes para uma leitura de cartas não correr bem. Aquelas leituras que nos deixam desanimados, a duvidar das nossas capacidades por não entendermos o porquê do cliente não estar a entender o que estamos a tentar lhe dizer... Aquelas consultas que nos roubam a energia e, muitas vezes, nos provocam dores de cabeça...


Há dois tipos de clientes que eu não gosto de atender, mas que não consigo evitar, pois somente quando eles se sentam à mesa para se consultarem é que partilham as suas crenças: «Sou céptico, não acredito nada nestas coisas e vim só por curiosidade» ou então não partilham nada além do nome completo que solicito sempre no início. E estes que não partilham, são aqueles que podem ser cépticos ou então acreditam que os oráculos conseguem prever o futuro próximo, mas querem ver até que ponto a cartomante adivinha pormenores da sua vida.

À partida estes dois tipos de clientes, que toda a gente que se dedica à arte da "adivinhação" por meio das cartas ou de qualquer outro tipo de oráculo já deve ter tido o "prazer" de atender, com a postura que levam para a consulta fazem elevar uma barreira mental entre ele e o cartomante, que este último não consegue entrar em sintonia com o primeiro, dificultando a leitura.

Numa consulta de cartas é necessário que o consultante colabore. O cartomante precisa de indicações para poder interpretar de forma adequada a jornada do consulente, pois as cartas têm mais do que um significado. Se o consulente não dá a conhecer o que mais lhe inquieta ou o que quer saber, então não pode exigir do cartomante uma consulta com informações/orientações precisas para resolver os seus problemas.

Tal como numa consulta de psicologia, em que o paciente expõe as suas inquietações, o mesmo se espera numa consulta de cartomancia - embora eu não esteja de todo a tentar dizer que a leitura de oráculos é melhor ou igual a uma consulta de psicologia; cada uma ocupa o seu lugar na sociedade e tem o valor que cada um de nós lhe atribui.

Portanto, para que uma consulta dê certo, tem de haver um mínimo de diálogo e ambos os intervenientes, em conjunto, têm de analisar a situação ou situações que levaram o consultante a procurar orientação.

Já atendi os dois tipos, e mesmo assim considero o céptico pior, pois realmente a interpretação das cartas no início costuma ser confusa para mim, além de que o consultante mantém uma expressão impossível de decifrar. Com o andamento da leitura as pessoas ficam mais relaxadas e a barreira acaba por cair. Quanto aos que me colocam à prova, simplesmente vou apresentado as diversas opções e eles que escolham as que consideram mais indicadas para si.

Mas quando notar que a consulta não está a correr bem, mesmo após ter falado ao cliente que a leitura das cartas é um assunto de grande seriedade e não um jogo de entretenimento, o melhor é cessar a consulta e pedir ao consulente, se for do interesse deste, que volte no dia seguinte.

Além de tentar explicar o objectivo do baralho cigano, acrescento que se fosse adivinha ou bruxa já teria conseguido a chave do euromilhões e, por esta altura, estaria num paraíso turístico qualquer e não a deitar cartas - embora goste bastante deste ofício. Este discurso, naturalmente, só profiro quando apanho um dos dois tipos acima descritos.